Os superiates mais impressionantes do mundo

Os superiates mais impressionantes do mundo

Um giro pelos superiates mais impressionantes do mundo — embarcações tão grandes que interferem na estrutura de portos e cidades

Mais seletivos do que no frenesi pós-pandemia, os bilionários estão cada vez mais dispostos a investir centenas de milhões em superiates, mesmo que só em manutenção anual consumam cerca de 10% do valor da embarcação. O mercado segue em ebulição: 26 barcos acima de 100 metros de comprimento (328 pés) estão sendo construídos agora em estaleiros europeus. Segundo a Coherent Market Insights, o setor somou US$ 21 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 45 bilhões até 2032.

E o perfil desse seleto grupo está mudando. “Havia uma trajetória em que você crescia rumo à posse de um superiate através de uma sucessão de embarcações menores, e agora vemos clientes pulando essas etapas”, diz Anders Kurtén, CEO da corretora Fraser Yachts. “Hoje, não é raro alguém na casa dos 40 anos comprar seu primeiro barco e já ir direto para um de 100 metros ou mais.”

O Azzam é o rei deles. Construído pelo estaleiro alemão Lürssen para a família presidencial dos Emirados Árabes Unidos, mede 593 pés, quase o dobro de um campo de futebol, e custou cerca de US$ 600 milhões. O número que mais impressiona é a velocidade: mais de 30 nós, graças a um sistema híbrido de turbinas a gás desenvolvido do zero. O interior, assinado por Christophe Leoni em estilo imperial, contrasta com o exterior quase militar projetado pela Nauta Design. Um imperador por dentro, um general por fora.

Antes do Azzam, o maior iate privado do mundo era o Eclipse, de Roman Abramovich, com 534 pés. Construído pelo estaleiro alemão Blohm+Voss, é o mais mitológico dessa lista — não por tamanho, mas pela segurança. Tem sistema de detecção de mísseis, um minissubmarino para fugas e um escudo a laser antipaparazzi que ofusca sensores de câmera à distância. O custo inicial de US$ 440 milhões disparou para quase US$ 1,3 bilhão com os sistemas de proteção extras. É um bunker flutuante, e literalmente já serviu de esconderijo: sancionado pela União Europeia em 2022, Abramovich conseguiu tirar o Eclipse das águas europeias a tempo, e o barco está ancorado na Turquia desde então.

O mais ousado visualmente é o Sailing Yacht A, de outro bilionário russo, Andrey Melnichenko. Com 388 pés e design futurista de Philippe Starck, superfícies metálicas prateadas, três mastros de fibra de carbono de 100 metros e uma cápsula de observação subaquática no casco, desafia qualquer expectativa clássica de veleiro. Apreendido pela Itália desde 2022, o país paga US$ 11,5 milhões por ano em manutenção enquanto a disputa judicial se arrasta.

Os russos chegaram a somar cerca de 19% da frota global de superiates, mas praticamente desapareceram do mercado desde a invasão da Ucrânia. Foram substituídos por americanos, que hoje já respondem por cerca de um quarto da frota mundial acima de 40 metros. A mudança não é só demográfica — é filosófica. Enquanto os oligarcas russos queriam bunkers e palácios, a nova geração americana quer barcos conectados via Starlink, pensados para quem não separa trabalho de férias.

O Launchpad, de Mark Zuckerberg, é um exemplo dessa tendência. Construído pela holandesa Feadship, o barco, que custou cerca de US$ 300 milhões, tem 118 metros, cinema, spa, piscina de borda infinita e sistemas de realidade virtual. Outro exemplo é o Dragonfly, do cofundador do Google Sergey Brin. Com 467 pés, foi entregue pela Lürssen com escritório no convés, heliponto, spa, cinema e uma plataforma dobrável na popa que vira beach club.

Já Larry Ellison, cofundador da Oracle, foi na direção oposta: trocou o icônico Rising Sun, um dos maiores iates privados já construídos, por algo mais sóbrio, o Musashi, de cerca de US$ 160 milhões e 288 pés. Batizado em homenagem ao lendário samurai Miyamoto Musashi, acomoda até 18 convidados, tem quadra de basquete e ganhou destaque na cultura pop ao aparecer na minissérie The Dropout.

O mais celebrado de 2026 foi encomendado por Bill Gates: o Breakthrough, de 390 pés, também construído pela Feadship — o primeiro superiate movido a células de combustível de hidrogênio líquido. Gates nunca chegou a embarcar e colocou o barco à venda antes mesmo de recebê-lo. O bilionário canadense Patrick Dovigi comprou a embarcação em uma das transações mais caras já registradas no setor, estimada entre US$ 650 milhões e US$ 730 milhões.

Enquanto os americanos oscilam entre a sobriedade do Musashi e a extravagância do Breakthrough, o Oriente Médio segue fiel ao luxo discreto, com exteriores sóbrios e interiores hiperluxuosos. O Al Said, do sultão de Omã, existe quase como um mito. Ninguém sabe sua localização exata, mas os relatos que vazam são notáveis: 509 pés, seis decks assinados por Espen Øino, capacidade para 70 convidados e 154 tripulantes, além de uma sala de concertos para uma orquestra de 50 músicos. 

Nos Emirados Árabes, o Blue segue a mesma escala. Atribuído ao sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, vice-presidente do país e dono do Manchester City, o barco de 525 pés tem interiores de Terence Disdale e custo estimado em US$ 600 milhões.

A fabricação de superiates segue concentrada na Europa. A Itália responde por mais da metade de todos os construídos no mundo, com a Azimut-Benetti como maior estaleiro do planeta, seguida pela Turquia, com 90 projetos simultâneos em andamento, e pela Holanda, responsável pelos projetos mais complexos e caros.

Já o REV Ocean, do norueguês Kjell Inge Røkke, avaliado em US$ 500 milhões, representa outra fronteira do luxo: menos ostentação, mais propósito. Depois de nove anos de construção, deve ser entregue ainda em 2026, com 640 pés e quase 20 mil toneladas brutas. Será o maior superiate já construído. Mas não é um barco de lazer: batizado a partir das iniciais de Research Expedition Vessel, foi projetado por Espen Øino para pesquisa oceânica, com certificação para navegar em gelo polar, propulsão diesel-elétrica e capacidade para carregar um submersível.

O Brasil também tem seus representantes. O mais emblemático é o Madame Kate, de Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene: 197 pés, entregues em 2015 pelo estaleiro holandês Amels, com exterior assinado por Tim Heywood, piscina, salão de festas, heliponto e uma tinta perolizada que faz o casco brilhar à noite. Avaliado pela imprensa náutica em cerca de US$ 75 milhões, o barco leva o nome da cadela do empresário e, em Mônaco, recebeu a bordo o príncipe Albert.

O mais recente é o Enejota, de Neymar, que chegou a Angra dos Reis em julho. Construído no Ceará a partir do retrofit de uma embarcação de apoio, com design assinado por Fernando de Almeida, tem 151 pés, seis suítes e heliponto, com valor estimado entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões.

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