Capa de chuva amarela

Um dos códigos visuais mais reconhecíveis do imaginário náutico nasceu menos como estética e mais como equipamento de segurança. No século XIX, marinheiros e pescadores escoceses e escandinavos impermeabilizaram peças de lona e algodão com óleo de linhaça. Em 1877, o capitão Helly Juell Hansen percebeu que havia ali mais do que o improviso e começou a produzir roupas impermeáveis para trabalhadores do mar. E por que amarelo? Não era exatamente uma decisão de direção criativa. A cor aumentava a visibilidade em condições ruins e ajudava a localizar quem estivesse no mar.
Casaco de lã

Ligado aos uniformes de marinheiros europeus e, especialmente, à tradição naval britânica, o peacoat, casaco feito de lã pesada, protege bem contra o frio. O comprimento mais curto facilitava a movimentação no convés, enquanto o abotoamento transpassado ajudava a bloquear o vento.
Deck shoes

Os deck shoes nasceram para resolver uma insegurança que qualquer dono de barco reconhece: não escorregar no convés molhado. Nos anos 1930, o velejador americano Paul Sperry conhecia bem o problema e percebeu que seu cachorro corria sobre superfícies escorregadias sem perder o equilíbrio. As ranhuras das patas do animal inspiraram os cortes na sola do sapato, sistema conhecido como siping.
Camisa Breton ou marinière

Em 1858, a Marinha Imperial Francesa oficializou o tricô listrado azul e branco como parte do uniforme de seus marinheiros. Muitos deles vinham da Bretanha, daí o nome camisa Breton. As listras tinham uma justificativa menos poética do que gostaríamos: ajudavam a localizar um homem caso ele caísse no mar. No século XX, a peça virou sinônimo de elegância francesa, reimaginada por Coco Chanel e Jean Paul Gaultier.
Suéter Aran

O suéter, que leva o nome das Ilhas Aran, na costa oeste da Irlanda, ficou associado aos pescadores locais. Dizem que cada família tinha um ponto próprio de trançado para, caso um pescador morresse no mar, pudesse ser identificado pelo desenho da peça.
Sperry top-siders

Em 1937, Paul Sperry criou a evolução dos boat shoes: uma versão de couro inspirada no mocassim. Depois da Segunda Guerra Mundial, o sapato deixou de ser apenas equipamento náutico e desembarcou nos campos universitários, iates e clubes.














