Como o trekking me desafia para além do físico

Como o trekking me desafia para além do físico

Ficar quatro dias sem telefone, hoje em dia, é um presente que você se dá. Uma conexão extrema com a natureza

O trekking entrou na minha vida em 2019, mas a semente foi plantada muito antes. Surfei durante dez anos, pratiquei jiu-jítsu — sempre fui esportista e sempre busquei adrenalina. Mas depois de um período de muita dedicação ao trabalho, você sente falta de algo diferente e de uma conexão mais profunda com a natureza.

Quando tive a oportunidade de desenhar uma experiência para clientes no Atacama através da The North Face, marca que represento, algo mudou em mim.

O céu do Atacama é de outro mundo — até arrepio de lembrar. Sol, terra, geiseres, piscinas termais, montanha, neve... E pela primeira vez me deparei com uma altitude de 4 mil metros carregando peso nas costas.

Aquela travessia trouxe um desafio que eu nunca tinha sentido: a vertigem, o esforço prolongado, a sensação de que você está num lugar inóspito e precisa terminar.

Voltei diferente. E já queria planejar a próxima.

Quando você é jovem, quer viajar para Paris, Londres, Milão. Depois de um tempo, trabalhando num cargo que exige muito mentalmente, você percebe que precisa de outro tipo de viagem. Contemplativa. Que reenergize. Que traga experiências diferentes.

Hoje, minhas viagens são voltadas à conexão com a natureza e ao desafio físico. Descobri que o Brasil tem lugares incríveis que pouca gente conhece — o Parque Nacional do Itatiaia, a três horas e meia de São Paulo, tem 2.700 metros de altitude e o Pico das Agulhas Negras. A Chapada dos Veadeiros, a Chapada Diamantina, os Lençóis Maranhenses, Bonito, com suas piscinas naturais que você não acredita quando vê. A Pedra Grande de Atibaia. A subida da Pedra da Gávea, no Rio — três horas de subida, a vista mais linda, o Rio inteiro aos seus pés.

Em 2021, fui apresentado à Fjällräven Classic, uma travessia sueca de 120 quilômetros que você faz de forma autossuficiente — barraca, comida e água para quatro dias, sem celular, a 72 graus de latitude norte. Sol, chuva, um desafio tremendo. Fomos o primeiro grupo brasileiro a participar.

Ficar quatro dias sem telefone, hoje em dia, é um presente que você se dá. Uma conexão extrema com a natureza. No ano seguinte, já eram 40 brasileiros inscritos no programa.

O trekking me ensinou muitas coisas. Uma hora você está no trânsito de São Paulo, numa sala de reunião. Na outra, está escalando uma montanha, no meio da natureza. Esse contraste não tem preço.

O desafio do dia a dia da empresa, quando comparado ao que você enfrenta numa travessia, acaba ficando menor. A solução vem mais rápido. Você passa a enfrentar o dia a dia de forma diferente. Volto sempre com boas ideias.

O trekking também exige preparação séria. Desenvolvi um treino diário, intercalando musculação, ioga e pilates. Na esteira, velocidade 5 com inclinação de 8 a 10 ajuda no preparo físico. Articulação, tendão, resistência — tudo precisa estar pronto. É um esporte que exige maturidade.

O próximo desafio é o Polar — uma travessia na Groenlândia durante o inverno, em trenós puxados por cães, por cinco dias sem celular. Para mim, isso não é problema. É exatamente o que eu busco.

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