O treino que muito marombeiro não consegue fazer

O treino que muito marombeiro não consegue fazer

Febre em NY e Paris, o hot mat pilates chega a São Paulo com salas aquecidas por tecnologia de infravermelho

Notícia boa para quem já entrou de cabeça no novo boom do pilates e também gosta de suar nas salas aquecidas que ficaram conhecidas através do hot yoga: as duas modalidades se unem no hot mat pilates no novo estúdio Core Haus, que abre as portas em 20.07, em São Paulo.

Diferente do pilates tradicional ou do reformer pilates, o hot mat pilates é praticado no chão, usando um tapete (o mat) e equipamentos como anilhas de braço, barras e bolas com pesos. Os exercícios priorizam a execução precisa dos movimentos, trabalham a tonificação com o peso do próprio corpo e ganham intensidade com o uso de acessórios. E pode esperar muito suor: a sala aquecida promete garantir o famoso "glow" pós-treino.

 

O pilates tradicional surgiu em meados de 1920, a partir do alemão Joseph Pilates, que criou um exercício para soldados feridos na Primeira Guerra Mundial. Com os benefícios comprovados ao longo dos anos e milhares de alunos adeptos, variações surgiram e continuam surgindo até hoje.

 

A origem do hot pilates, por sua vez, é atribuída a Gabriella Walters, uma ex-atleta de corrida que, em 2009, desenvolveu em Las Vegas uma aula que combinava princípios do pilates com exercícios de alta intensidade realizados em uma sala aquecida. Em 2012, ela fundou o Inferno Hot Pilates, considerado o primeiro estúdio dedicado exclusivamente a isso e que hoje tem mais de 200 unidades espalhadas pelo mundo.

 

A tecnologia de aquecimento ainda é inédita em estúdios de exercício no Brasil. As salas são aquecidas por placas de infravermelho de onda longa que emitem radiação capaz de aquecer diretamente a pele e o corpo, sem elevar a temperatura do ar na mesma proporção. Com isso, o ambiente fica mais confortável para respirar durante a prática.

 

Nos últimos anos, tem crescido o interesse pelos possíveis benefícios dos treinos em ambientes aquecidos para a flexibilidade e a recuperação muscular. Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista Sports Medicine - Open analisou 43 estudos e confirmou que a prática de exercícios em ambientes aquecidos pode melhorar significativamente a flexibilidade, o equilíbrio e a densidade mineral óssea. Segundo os pesquisadores, o calor atua como um “estressor adicional” que pode potencializar as adaptações do corpo ao treinamento.

 

Por outro lado, os estudos advertem que o esforço no calor aumenta o risco de tonturas e náuseas, recomendando que iniciantes façam uma adaptação gradual nas primeiras sessões e mantenham uma hidratação rigorosa. Ele também diz que não foi comprovado um aumento no gasto calórico na prática dos exercícios.

 

Mesmo assim, ao longo dos anos, o hot pilates virou sucesso e foi replicado em novos estúdios. Além de promoverem as aulas, os espaços também ajudaram a criar comunidades adeptas ao treino e a incluírem a atividade nas rotas de turismo wellness.

 

Em Nova York, está em alta o Fuze House, que reúne mulheres em lindos espaços no Chelsea, em Tribeca e nos Hamptons. Em Miami, o mesmo empreendimento está localizado em Sunset Harbour e South Miami.

 

Também em NY, o Practice Room tem aulas e um protocolo de recovery na sala aquecida. O Ethea abriu há pouco em Tribeca e também adota lemas parecidos com os demais: esculpir o corpo com intensidade e intenção.

Em Paris, nem a mais forte onda de calor da história impediu a cidade de ferver na sala de hot pilates. No Burning Bar, o lema é “aqui você não sua, você queima”. O estúdio conta com salas privativas, além das coletivas, e um clube para membros.

A modalidade acaba de chegar por aqui. As sócias Alice Napoleão e Gabriela Coque viajaram a todos os endereços mais quentes para trazer o que acharam de melhor. O resultado foi um método próprio, desenvolvido em parceria com professores e especialistas em pilates.

 

As fundadoras da Core Haus contam que viram uma oportunidade em oferecer uma aula com “intensidade sem excesso”, o que é exatamente o diferencial do hot pilates. “Vimos o boom da corrida e do crossfit, que trouxe também muitas lesões aos iniciantes. A nossa aula terá a intenção e sensação de ‘treinei hoje’, mas com segurança. E sem perder o fundamento do pilates, com embasamento técnico e sólido,” dizem.

 

Gaby Andersen, educadora física e professora de pilates, ajudou a consolidar o que estaria no método. Ela diz que as aulas de hot pilates “são focadas em tonificação, com bastante peso, muitas movimentações, bem dinâmica. E também há aulas com foco em gasto calórico.”

O método foi estruturado em cinco momentos: preparação e ativação; progressão e intensificação; pico de intensidade; recuperação e equilíbrio; e encerramento com um momento de reflexão. O estúdio também conta com 5 tipos de aula, que variam de acordo com a intensidade e a região do corpo. Pronto para suar?