Ritz-Carlton, Four Seasons, Orient Express e Aman, grupos que comandam alguns dos melhores hotéis do mundo, foram pioneiros ao mergulhar de cabeça em um novo tipo de hospitalidade. Com terra firme já conquistada nos cinco continentes, eles combinam o melhor do universo dos cruzeiros exclusivos e dos iates privativos em endereços flutuantes.
Na linha do tempo da elegância sobre as ondas, construir navios com estruturas de lazer, decoração primorosa e atividades voltadas ao lifestyle não é uma novidade: os dois exemplos mais conhecidos talvez sejam a White Star Line, com o Titanic em 1912, e a Cunard, com o Queen Mary em 1936 — ambos carregando a elite da época a bordo. Só que a proposta era diferente: sem os aviões, eles serviam basicamente para… transporte. Um transporte bastante confortável para a primeira classe, que tinha piscina, academia e diversos restaurantes.
Um tempo depois vieram os cruzeiros gigantes e, na contramão deles, surgiram os iates com bandeiras de hospedagens cinco estrelas. Com um número restrito de passageiros a bordo, o valor da viagem, que começa em torno de US$ 8 mil, pode passar facilmente de US$ 350 mil.
Quando se está embarcado, a missão do time é atender a todos os sonhos e pedidos dos hóspedes com o máximo de personalização possível. São iates espaçosos e reservados, com móveis assinados, obras de arte, piscinas e varandas privativas, helipontos, menus criados por chefs Michelin e uma série de atividades para se desconectar do mundo e se reconectar à sua essência.
Por serem menores que os grandes navios, os iates conseguem chegar a lugares de difícil acesso, como St. Barths. O Ritz-Carlton foi pioneiro neste mercado com o lançamento do iate Evrima em outubro de 2022. Além deste, há o Ilma e o Luminara, que compõem a frota viajando pela Ásia, pelo Alasca e pelo Mar Báltico, além do Mediterrâneo, do Norte da Europa, do Caribe, da Polinésia Francesa e do Havaí.
O Evrima (que significa descoberta, na tradução do grego) pode receber 298 hóspedes em uma das 149 suítes espalhadas pela embarcação de 624 pés, todas com varanda. Os corredores são menores e a decoração tem clima de casa.

Na próxima temporada, que começa em outubro e vai até abril de 2027, serão 32 novas viagens entre as três embarcações. Na temporada do ano que vem, de outubro de 2027 a maio de 2028, serão mais de 60 viagens, com 14 novos destinos — números que mostram interesse de público e bons resultados de um negócio que vai de vento em popa.
Neste ano, dois outros iates foram lançados ao mar. Em março, o Four Seasons I, de 679 pés; e em abril, o Orient Express Corinthian, com 721 pés. O primeiro deles tem spa com tratamentos La Mer, 95 suítes para 222 hóspedes, mais de duas mil obras de arte, 11 restaurantes e bares e praticamente um membro da tripulação para cada viajante. “O Four Seasons Yachts oferece uma experiência Four Seasons de classe mundial, no mar e em terra, marcada pelo serviço genuíno e personalizado que os nossos hóspedes conhecem,” diz Alejandro Reynal, presidente e CEO do Four Seasons que se prepara para lançar o segundo iate da frota em 2028.

O Corinthian, maior iate da categoria, recebe apenas 110 hóspedes. Movido à vela com motores de apoio, tem 54 suítes de até 230 metros quadrados, spa Guerlain, decoração art déco, oito bares e cinco restaurantes comandados pelo chef Yannick Alléno, dono de 16 estrelas Michelin. Cada quarto conta com um mordomo dedicado e, para os jantares formais, há até um alfaiate a bordo. Após dez anos de construção, a embarcação hoje navega pelo Mediterrâneo e pelo Caribe.

Completando a realeza dos mares, o Amangati, primeiro iate da Aman, chegará em maio de 2027 com um roteiro inaugural de seis noites entre Palma de Maiorca e Nice. Terá 47 suítes de até 300 metros quadrados, nove decks e viagens de cinco a oito noites pelo Mediterrâneo. Inspirado em um ryokan, o projeto terá ainda um spa de mais de mil metros quadrados, com tratamentos inspirados pelo oceano.

Chamar essas embarcações de iate pode até ser motivo de discussão. Há quem diga que seria mais justo chamá-las de navios de cruzeiro a partir do momento em que você comercializa uma cabine. O fato é que em nada é possível compará-las ao que existia até então. E se depender do movimento dessa maré, o mar da hospitalidade flutuante está para peixe.















