Nas Rocas: a realização de um antigo sonho de Alex Atala

Nas Rocas: a realização de um antigo sonho de Alex Atala

Em setembro, o chef faz o soft opening do primeiro hotel do Resid Club

Após décadas de sucesso à frente do Dalva e Dito e do D.O.M, este último com duas estrelas Michelin, o chef Alex Atala queria mais. Desde 2024, ele é um dos sócios do Resid Club & Hotels, grupo de hospitalidade que, em setembro, vai reviver um dos lugares mais icônicos de Buzios, o Nas Rocas Club, na Ilha Rasa.

Nos anos de 1990, o Nas Rocas hospedou nomes do jet set como Bono Vox (que, inclusive, tinha uma suíte própria por lá), Madonna e o empresário italiano Gianni Agnelli. 

“O sonho de um ‘restauranteiro’ é, sem dúvida, virar hoteleiro,” diz o chef. “Este movimento é parte de uma evolução natural para aprimorar as ferramentas que uso há 40 anos. Agora, tenho a oportunidade de aplicá-las em um segmento maior,” diz. 

Segundo Atala, a hotelaria apresenta mais frentes de atuação e complexidades. “No restaurante, eu sempre tive em mente um público adulto. Claro que vão pessoas de diversas idades, mas o foco é neste recorte,” diz. “Já no hotel, você tem que pensar na senhora e no netinho, em café da manhã, almoço, jantar e serviço de quarto.” Com cerca de 120 mil m² e faixas privativas de praia com água transparente, o Nas Rocas vai contar com bares e restaurantes assinados por Atala.

O chef explica que a estrutura hoteleira do Nas Rocas, com 40 unidades de acomodação, será entregue a partir de 2028 – até lá, somente o clube, com o bar e outras estruturas, funcionará. A ilha terá ainda quadras de tênis e de areia e diferentes piscinas. 

Haverá também uma espécie de centro comercial com uma curadoria de lojas (que ainda não podem ser reveladas), além de um wellness center com academia e spa. Por fim, a ilha contará com o Resid Residence, com vilas para longas temporadas – cujos preços não foram revelados.

 “Será o primeiro clube de ilha do Brasil,” diz o CEO do Resid Paulo Henrique Barbosa. A adesão a um título do Resid, que inclui o aproveitamento de todos os benefícios mais o acesso à Ilha Rasa, começou a ser vendida por R$ 330 mil e terminou em R$ 500 mil. Os benefícios vão desde jantares na casa de Alex Atala além de uma viagem à Itália para conhecer a cozinha do chef Massimo Bottura, entre outros. Para quem quer ficar apenas com esses mimos (sem o Nas Rocas), o  membership sai por R$ 150 mil. Já para acessar apenas a ilha e aproveitar a estrutura do local, é necessário despender R$ 300 mil. 

 “Queremos manter a excelência do Nas Rocas que faz parte da história do país. Episódios da 1ª edição da novela ‘Vale Tudo’ foram gravados lá. Assim como reuniões do Plano Collor – independente da minha opinião sobre esta ação,” diz o CEO. “A ideia é usar este histórico, com uma nova infraestrutura, para oferecer uma plataforma de lazer e bem-estar para o público ultra-high brasileiro.” 

Esta não é a sua primeira incursão na hotelaria. Por volta de 2017, ele anunciou o desejo de construir o Hotel D.O.M. na esquina da Rua Augusta com a Alameda Franca, em São Paulo. O empreendimento nunca saiu do papel. “Eu dei os primeiros ensaios mas, infelizmente, veio a pandemia,” diz. “Brinco que o meu hotel pegou Covid. Achei que não faria mais nada disso, mas tudo mudou.” 

Graças ao convite do idealizador do projeto, Paulo Henrique Barbosa. Também fazem parte do board: Claudia Ribeiro Bernstein (focada em hospitalidade, gestão de marca e conceito) e Rafael Caiado e Francisco Costa Neto (sócios-investidores).

A abertura em setembro seguirá em modelo soft. Neste momento serão entregues o primeiro acesso à praia, o restaurante Resid Bar e os piers de embarque e desembarque – só é possível chegar ao Nas Rocas de barco e, no futuro, de helicóptero. 

Anteriormente, já havia sido inaugurado em São Paulo, nos Jardins, uma unidade do Resid Bar com a carta de drinks e o menu assinados por Atala. Vale destacar que o local, com ar intimista, pode ser aproveitado por qualquer um – não é necessário ser membro do clube. O Resid Bar Jardins funciona como um showroom de todos os benefícios do clube.

Já em Búzios, apenas os membros podem usar o bar. O menu e carta de drinks vão aproveitar muito do que a unidade dos Jardins oferece, mas serão adaptados à oferta de ingredientes locais. Até a publicação da matéria, os pratos e bebidas ainda não tinham sido fechados. Porém, o chef deu um spoiler do que está por vir.

“A região de Búzios conta com um fenômeno marítimo chamado de ressurgência, no qual as águas frias e profundas sobem à superfície por condições geológicas,” diz Alex Atala. “Esta água gelada faz proliferar plantas e peixes – e o pescado na água fria é o melhor. Não é um exagero dizer que o melhor peixe do Brasil está em Búzios.”

A estrela principal do menu serão os pescados, além de bananas e farinhas da região da Mata Atlântica. “Focaremos em pequenos produtores com itens de alta-qualidade para agregar valor às cadeias locais.” Nos meses mais frios, explica o chef, haverá anchovas, polvo e peixes como atum, sororoca, cavala e carapau. “Já no verão, devemos ter namorado, robalo, camarão, lagosta e lula.”

Em relação aos drinks, Atala adianta que, de novidade, terá a cataia – fruto de uma árvore típica da região e amplamente utilizada para fazer cachaça pelos caiçaras, um termo popular em referência aos habitantes do litoral do Rio de Janeiro ao de Santa Catarina. 

Outro ponto que motiva o chef na nova aventura é a geografia do Nas Rocas. “Consigo me desafiar e aplicar conceitos de sustentabilidade e logística, pensando na chegada a barco dos produtos pelos fornecedores, além do dejeto responsável em um espaço de preservação da Mata Atlântica.”

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