Quiet (cannabis) luxury

Quiet (cannabis) luxury

Como o design tem furado a bolha da cannabis em uma revolução silenciosa e sofisticada

A cannabis virou protagonista de um dos mercados mais acelerados do mundo  — e não é por acaso. Entre legalizações, avanços medicinais e uma indústria que vai de cosméticos a tecidos, a planta movimenta bilhões e muda o jogo da nova economia. 

O mercado global deve movimentar mais de US$ 80 bilhões até 2027, enquanto o Brasil movimenta R$ 1 bilhão, com projeção de crescimento de até 26% ao ano. 

Mesmo assim, o tema ainda é um tabu, e uma das formas de quebrá-lo é através de um design eficaz. Entre as marcas nacionais que vêm repensando a experiência da cannabis estão a a.maria, que estreou na última DW! Semana de Design de São Paulo, e a Nowdays, que surgiu em 2021. 

“A a.maria nasceu do desejo de integrar a cannabis à vida com beleza e legitimidade, sem abrir mão da sofisticação. Existe uma oportunidade clara de negócio quando conseguimos transformar estigma em linguagem estética e produto de valor,” disse Nathália Cajueiro, fundadora da marca ao lado de Raphaella Faria. Entre os destaques da a.maria estão o Cubo Mágico, um organizador modular que abriga acessórios de fumo, e o Cisqueiro. 

Já a Nowdays foi criada por Thainá Zanholo como uma plataforma de conteúdo dedicada à cultura da cannabis. Hoje, os produtos da marca materializam esse conceito e ajudam a manter a comunidade viva. “Falar com quem não tem interesse [pela cannabis] é tão importante quanto falar com quem tem. A cannabis só vai se tornar mais aceita quando todo mundo entender sobre ela, e não só quem consome. O design é a forma imagética de contar essa história,” disse a diretora criativa. 

Outro fator que impulsiona o design canábico é que ele passa ileso por restrições de venda e publicidade impostas, no Brasil, a produtos que contenham cannabis em sua composição. A Humora, start-up brasileira de wellness que comercializa produtos à base da planta e fitoterápicos produzidos na Califórnia, exige prescrição médica e autorização individual de importação pela Anvisa. 

A marca foi uma das 10 start-ups selecionadas para o Programa de Aceleração do Grupo Boticário em 2025. Mas, se o nome ainda não soa familiar, é porque a divulgação esbarra nas restrições impostas pela legislação brasileira.  

Para driblar normas como essas, que também afetam outros países, a cannabis é tratada como experiência sensorial. A espanhola Loewe, por exemplo, lançou sabonete líquido e vela perfumada com a fragrância Scent of Marihuana, que evoca o cheiro relaxante da planta e a aborda como tema olfativo, não como ingrediente. A MALIN+GOETZ, marca de skincare baseada em Nova York, segue o mesmo caminho em uma linha de perfume, vela e sabonete líquido. 

No fim, se a legislação ainda impõe limites, a estética segue avançando — e, muitas vezes, é ela quem prepara o terreno para que a normalização aconteça. 

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