O cineasta Jordan Firstman foi um dos nomes mais comentados do Festival de Cannes 2026 após seu longa de estreia, Club Kid, ser aplaudido de pé, provocar uma disputa entre distribuidoras e ser adquirido pela A24 por US$ 17 milhões, uma das negociações mais expressivas desta edição do evento.
Para essa temporada bem-sucedida, Firstman caprichou no visual: apostou em alfaiataria marrom para o dia, com blazer usado sobre camisa semi-aberta, tendência emprestada dos desfiles do verão 2026.
O estilo tem um quê de Miami Vice, mas menos 1980s e mais impecável. A silhueta transmite uma sensação descontraída, perfeita para transitar desde o happy hour até um casamento no campo ou na praia. Para isso, comece tirando a gravata. O segredo para não perder a imagem de bem-vestido é escolher uma boa modelagem e manter a camisa impecável. Se o ambiente permitir, uma dose de irreverência são óculos de sol com lentes coloridas.

“Hoje as pessoas estão pensando mais em bem-estar, comodidade e descontração. E isso se reflete diretamente na roupa, deixando-a menos rígida”, diz o estilista Ricardo Almeida, conhecido pela alfaiataria impecável, como a dos ternos desenvolvidos para jogadores e comissão técnica da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026.
Além de Firstman, outros nomes famosos também aderiram à camisa semi-aberta com blazer por cima. Em janeiro, o ator Chris Pine escolheu look semelhante na estreia mundial do drama romântico Carousel no Festival de Cinema de Sundance. Já o ator Jacob Elordi mostrou que a tendência ajuda a quebrar a formalidade no visual social all black, que ele escolheu para cruzar o tapete vermelho de estreia da minissérie O Caminho Estreito para os Confins do Norte, no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale), em fevereiro.
A proposta vem da passarela. Na Hermès, uma cartela de tons neutros e sóbrios acrescentou sofisticação em composições que chamam a atenção para a camisa aberta sob blazers mais casuais, com cordão de ajuste ou pespontos e, também, jaquetas alongadas de couro.

Já na Giorgio Armani, a alfaitaria soft com ombros caídos resgatou o visual revolucionário da marca nos anos 1980, tendo a camisa como ponto focal. Inspirado por uma viagem à Índia, o diretor criativo Pharrel Williams, da Louis Vuitton, usou para o seu “dandy ensolarado” uma camiseta amenizando a abertura da camisa.
Os desfiles verão 2026 ainda trouxeram um truque de styling bem descolado: deixar uma ponta do colarinho, que está mais comprida, por cima de um lado e, do outro, por baixo da lapela do blazer. Na Jil Sander, a diretora criativa Simone Bellotti destacou dessa maneira todas as golas de seus paletós. Celine, Saint Laurent e Willy Chavarria também embarcaram na sacada de styling, enquanto a Bottega Veneta, que fez desfile misto, estendeu a ideia também para o feminino.
Ricardo Almeida lembra que o colarinho mais pontudo já foi moda nos anos 1970 e, depois, na década de 1990. Apesar de a passarela ter mostrado formatos realmente muito longos e finos, ele explica que para o dia a dia é melhor optar por versões mais moderadas para fugir de um possível efeito caricato.

Fácil de ser adotada, a proposta dá um up no visual. De cara, a impressão é que você saiu apressado e não ajustou as lapelas. Em um desfile nada (nada mesmo!) é descuido — e quando uma imagem se repete em outras passarelas, a pista é de estética nova no front. Além da combinação com blazer, dá para usar essa bossa com qualquer composição envolvendo uma camisa com colarinho: o detalhe saindo de uma blusa, suéter, sobretudo ou casaco.
Tanto a imagem da camisa entreaberta quanto o truque do colarinho apontam para uma moda masculina mais próxima da vida real, que deixa de lado a fantasia e o excesso de perfeição. Sugere simplicidade, um ar despreocupado e que tem sua porção sexy.

















