Por que um Rothko ainda é um Rothko

Por que um Rothko ainda é um Rothko

Os leilões de primavera começaram forte em Nova York, com um Rothko atingindo US$ 85,8 milhões

Os leilões de primavera começaram em Nova York, com as principais casas buscando levantar até US$ 2,6 bilhões para afastar a narrativa de crise que tomou conta do mercado de arte nos últimos anos.

Com cinco obras de Mark Rothko em oferta, a coisa começou bem.

Na quinta-feira, o quadro Brown and Blacks in Reds (1957) foi arrematado por US$ 74 milhões (US$ 85,8 mi após taxas) num leilão na Sotheby's. Ele era parte da coleção do banqueiro e marchand Robert Mnuchin, que morreu no ano passado.  

O valor — a ser pago por um licitante anônimo que participou do certame por telefone com Helena Newman, a chair da Sotheby’s Europa — é o segundo maior já alcançado por um Rothko em leilões públicos.

Em 2012, Orange, Red, Yellow (1961) foi arrematado na Christie's de Nova York por US$ 86,8 milhões, ou US$ 125,9 milhões corrigidos pela inflação.

Já a pintura Nº 6 (Violet, Green and Red) (1951) foi vendida a Ken Griffin por mais de US$ 100 milhões em um leilão privado da Christie's em 2024.

Os três trabalhos fazem parte da fase de ouro do pintor americano, entre os anos 50 e o início dos anos 60, quando Rothko desenvolveu a estética de blocos de cores sobrepostos que se tornou sua assinatura expressionista abstrata. Além disso, possuem a cor vermelha.

Pesquisas mostram que obras predominantemente vermelhas e azuis costumam valer mais no mercado. No caso do vermelho, que já chama atenção por ser vibrante, a cor é considerada auspiciosa na China, o que atrai os cada vez mais relevantes colecionadores do país.

No caso de Brown and Blacks in Reds, também pesou a história da obra de mais de 2 metros de altura.

Antes de passar para as mãos de Mnuchin em 2003 por US$ 6,7 milhões, pertenceu a Joseph E. Seagram, dono da finada destilaria homônima que chegou a ser a maior do mundo. 

A família Seagram admirava tanto a pintura que encomendou 30 murais de Rothko para decorar o restaurante do Edifício Seagram em NY no fim dos anos 50. Trata-se dos Seagram murals, hoje expostos na Tate Modern de Londres.

Mais duas grandes obras de Rothko foram vendidas pela Sotheby's nos últimos dias: No. 1 (1949), também do espólio de Mnuchin, foi arrematado por US$ 20,8 milhões; e Untitled (Black on Purple) (1969), da coleção de Terry de Gunzburg, saiu por US$ 16,5 milhões.

A casa ainda leiloará Untitled (1959), de David e Shoshanna Wingate, que deve sair por até US$ 7 milhões na quarta-feira.

Antes disso, a Christie's pedirá pelo menos US$ 80 milhões por No. 15 (Two Greens and Red Stripe) (1964), da coleção de Agnes Gund, na segunda-feira.

Mas a animação do mercado não parece restrita aos blocos de cores de Rothko.

O acervo de Mnuchin, que abriu os leilões de primavera, levantou US$ 166,3 milhões.

Na mesma noite, o certame The Now & Contemporary Evening Auction movimentou outros US$ 266,8 milhões, impulsionado por ícones do Pop Art

Museum Security (Broadway Meltdown) (1983), de Jean-Michel Basquiat, foi arrematado por US$ 52,7 milhões; Brigitte Bardot (1974), de Andy Warhol, saiu por US$ 24,8 milhões; e Half Face with Collar (1963), de Roy Lichtenstein, alcançou US$ 12,9 milhões.

Em busca dos US$ 2,6 bilhões em vendas, um valor que superaria em US$ 1 bilhão os ganhos dos leilões de primavera do ano passado e afastaria os rumores de crise, as grandes casas têm uma programação intensa na próxima semana.

A Sotheby's terá novos leilões na terça e na quarta, e a Phillips terá certames terça e quinta, mas os olhos estarão voltados para a Christie's.

Com eventos de segunda a quinta, a casa leiloará coleções importantes, como a do publisher S.I. Newhouse e a da patrona de arte Agnes Gund, e duas obras com preços iniciais acima de US$ 100 milhões: Number 7A (1948), de Jackson Pollock, e o busto Danaïde (1913), de Constantin Brancusi.

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