
Etiqueta do ménage: pequeno dossiê para iniciantes
Consentimento, combinados e aftercare estão entre as regras de etiqueta do sexo a três
Não era a primeira vez de Maru. Há muito ela aceitava convites para ser o terceiro elemento de encontros íntimos de casais em busca de aventuras. Sem muitos combinados, sempre se divertia. Momentos de puro prazer sem cobranças no dia seguinte pareciam ideais para uma mulher solteira disposta a aproveitar a vida sem pensar no futuro. Naquela noite, tudo parecia seguir a cartilha tradicional. Um casal disposto a viver uma aventura diferente; e ela, preparada para mais uma noite sem cobranças.
No auge da intimidade, porém, a surpresa. Sem dar grandes pistas, a mulher agarrou Maru pelos cabelos com força e ordenou que ela saísse de cima de seu marido e deixasse o recinto. Completamente nua, Maru catou as peças de roupa espalhadas pelo corredor do hotel e se vestiu enquanto esperava o elevador.
“O combinado é super importante, mas poucas vezes vejo isso acontecer," diz a comunicadora Krishna Mahon, conhecida como Mother Focker. Cenas como essa ajudam a explicar por que o ménage começou a desenvolver códigos próprios de convivência.
Pesquisas internacionais mostram crescimento da aceitação da não-monogamia consensual e apontam fantasias envolvendo múltiplos parceiros entre as mais comuns atualmente. Aplicativos voltados para encontros entre casais e experiências a três relatam expansão acelerada da base de usuários, especialmente entre millennials, hoje entre 30 e 45 anos, e gen Z, gerações mais abertas à experimentação afetiva e sexual.
“A fantasia do desejo sexual é extremamente saudável. Alimenta a imaginação, movimenta a dinâmica do casal e mantém vivo o jogo da sedução,” diz a psicanalista e terapeuta sexual Luciane Angelo. “O que desgasta as relações, muitas vezes, é o sexo automático e a impossibilidade de dividir os próprios desejos.”
Para ela, a normalização dos fetiches passa justamente pela possibilidade de viver fantasias sem culpa, desde que exista consentimento e que ninguém seja colocado em situações de constrangimento ou sofrimento. “Realizar fantasias sem causar dor emocional ou física para o outro é um ganho enorme para a saúde sexual dos envolvidos,” diz.
A gen Z ampliou esse movimento com um olhar ainda mais naturalizado sobre a fluidez sexual e os múltiplos arranjos afetivos. Acostumada a verbalizar limites e negociar expectativas, ajudou a criar uma espécie de etiqueta emocional do ménage. Abaixo, saiba como se comportar no sexo a três.
MANUAL PRÁTICO DO MÉNAGE
Não existe regra fixa para o ménage. O casal decide o que pode e não pode. O importante é combinar antes para ninguém se frustrar.
Estabelecer como vai ser o day after também faz parte do ménage e diminui as chances de transformar fantasia em desconforto.
A terceira pessoa pode ou não ser desconhecida. A escolha vai depender do fetiche de cada um. Mas atenção: assistir sem participar ativamente não vale. Para ser ménage, tem que entrar no jogo.
Conversar depois e entender como cada pessoa se sentiu — prática conhecida como aftercare — é parte importante da experiência e diminui a sensação de estranhamento no pós-sexo.
Desistir no meio do caminho é do jogo. Aqui, vale aquela regra universal: não é não.
Nada de deixar alguém de lado. Se for para transar em dois, não precisa marcar ménage, né? Para os novatos, vale pesquisar posições a três para todo mundo performar bem — trabalhando junto, todo mundo chega lá.
Beijos e trocas de carinhos estão liberados e são bem-vindos. Deixar o encontro distante ou mecânico pode deixar tudo artificial.
A maioria dos aplicativos de relacionamento tradicionais têm filtros para não-monogamia consensual. Pode ser um bom início para quem quer começar a frequentar essa praia, seja para o casal ou para o terceiro participante.
Lembre-se: ménage não salva a relação. Pelo contrário: incluir uma terceira pessoa num assunto privado tem tudo para ampliar ressentimentos.
Ciúmes e desconfortos são legítimos e admitir sentimentos contraditórios é mais saudável do que tentar performar maturidade emocional. A conversa é a base de tudo.
É sempre importante reforçar: a proteção é inegociável. Troquem o preservativo sempre que mudar de parceiro ou parceira.


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