A Pinakotheke está de casa nova em São Paulo. A instituição de arte fundada em 1979, no Rio de Janeiro, por Max Perlingeiro, deixou a casa que ocupava há 24 anos no Morumbi, na zona Sul da cidade, e se instalou em um casarão histórico em Higienópolis, a poucos metros da Avenida Paulista.
Enquanto o endereço anterior era conhecido pelo design moderno, o novo CEP é de 1930, tem estilo neoclássico e quase o dobro do espaço expositivo do espaço anterior.
A casa, que já foi uma residência particular e abrigou o Museu do Estado de Minas Gerais, acaba de passar por uma restauração com projeto assinado pelo arquiteto Luciano Dalla Marta, especialmente para receber a Pinakotheke. A obra durou um ano e envolveu extensa pesquisa da época em que foi construída.

“A ideia era que as pessoas sentissem que estavam entrando em uma coleção particular, em uma residência. Esse modelo é comum na Europa — proporciona uma relação mais próxima com a arte”, disse o arquiteto.
Ao circular pelos andares, é possível contemplar obras de artistas como Tarsila do Amaral, Salvador Dali, Joan Miró e Cícero Dias — algumas delas, de coleções privadas, exibidas pela primeira vez —, de maneira intimista e silenciosa, como um hôtel particulier. Muito diferente da experiência turística dos grandes museus.

O primeiro impacto ao entrar na casa é a escada estilo Art Nouveau, de bronze, que pelas mãos do arquiteto ganhou a cor azul Klein. “Os japoneses usavam esse tom de azul para representar o céu e o mar no século XIX. Pela galeria ter origem no Rio de Janeiro, achamos que era uma forma sutil de trazer a água para a sede de São Paulo”, disse.

No pavilhão anexo à casa, uma estrutura de aço preserva a vista do terreno com design que contrasta com a arquitetura europeia da casa. “Temos uma casa restaurada e um elemento contemporâneo ao lado. Dois momentos da arquitetura acontecendo, sendo que um respeita o outro”, disse.

A exposição que inaugura a galeria — Surrealismos: Arte para Além da Razão —, reúne artistas latino-americanos, norte-americanos, europeus e caribenhos em uma leitura que entende o surrealismo não como um movimento único, mas como diferentes formas de imaginar, perceber e transformar o mundo. Vale pela curadoria. Vale pela casa.
Surrealismos: Arte para Além da Razão
Em cartaz até o dia 15 de agosto.
Rua Minas Gerais 246 – Higienópolis

















