
Roberto Marinho doou um Brancusi ao MAM do Rio. A obra já vale mais de US$ 100 milhões
A escultura Mademoiselle Pogany II, do museu carioca, é da mesma série de Danaïde, que acaba de ser leiloada em NY por US$ 108 milhões
A escultura Danaïde (1913), de Constantin Brancusi, foi leiloada ontem em Nova York por US$ 107,6 milhões (incluindo impostos e comissões), tornando-se a segunda escultura mais cara da história.
No MAM Rio, repousa um busto da mesma série: Mademoiselle Pogany II (1920), esculpida pelo artista franco-romeno sete anos depois da versão arrematada na Christie’s.
A obra foi doada ao MAM em 1952 por Stella e Roberto Marinho, e é uma das poucas sobreviventes do incêndio que consumiu o museu em 1978.
“Vamos ter que avaliar essa peça novamente,” o marchand Jones Bergamin, responsável pelas avaliações para seguro do MAM Rio por meio da Bolsa de Arte, disse ao Page9. Na última apreciação, a obra havia sido avaliada em US$ 50 milhões.
Brancusi esculpiu os bustos tendo como inspiração a artista húngara Margit Pogany, que posou diversas vezes para o escultor em Paris entre 1910 e 1911, mas não chegou a ver a versão final da obra na época. O desenho definitivo teria vindo da cabeça do artista e de alguns poucos esboços que ele fez durante os encontros com Pogany.
Brancusi finalizou uma primeira peça em mármore em 1912, hoje parte do acervo do Philadelphia Museum of Art, e no ano seguinte reproduziu a obra sete vezes em bronze.A versão leiloada na Christie’s – uma destas sete reproduções e até ontem parte da coleção do publisher S. I. Newcome – também possui folha de ouro e pátina marrom escura em sua composição.
Ainda em 1913, Brancusi expôs a obra no Armory Show em Nova York, mas a recepção foi terrível. Jornalistas e o público criticaram-na intensamente, afirmando que parecia “mais um ovo do que um busto.”
Mesmo assim, o artista nunca superou Pogany e voltou a trabalhar na série mais duas vezes, buscando simplificar as versões anteriores.
Entre 1920 e 1925, fez mais cinco bustos de bronze em homenagem à musa – inclusive a que está no MAM do Rio; e, em 1931, produziu Mademoiselle Pogany III para os colecionadores Walter e Louise Arensberg.
Segundo o MAM Rio, a Mademoiselle que habita o museu foi escolhida diretamente do ateliê de Brancusi em 1952 pela jornalista Niomar Moniz Sodré Bittencourt, então diretora da pinacoteca, e pela artista Maria Martins. Stella e Roberto Marinho foram os mecenas da doação.
Anos depois, em 1978, a obra ardeu junto com Magrittes, Matisses e Picassos no incêndio que consumiu uma área de exposições do MAM Rio – mas sobreviveu. A restauração, a cargo de Edson Motta, durou dois anos.
Antes questionada, a obra de Brancusi se valorizou fortemente nas últimas décadas, ganhando espaço em museus como o MoMA e o Pompidou e quebrando recordes em leilões.
S. I. Newcome arrematou Danaïde por US$ 18,2 milhões (ou US$ 33 milhões corrigidos pela inflação) em 2002, um valor inédito para esculturas na época. Anos depois, em 2018, outro dos bustos do artista foi avaliado em US$ 71,2 milhões (ou cerca de US$ 94 milhões).
Hoje a Mademoiselle é a obra mais valiosa do acervo do MAM Rio, seguida de Quatre femmes sur socle (1950) do suíço Alberto Giacometti, avaliada em mais de US$ 30 milhões.


For You
















