Um lugar de encontro. É assim que a diretora artística da ArtRio, Maria Luz Bridger, define a feira que chega à sua 16ª edição em 2026. O evento acontece de 16 a 20 de setembro, às margens da Baía de Guanabara, em um pavilhão montado na Marina da Glória.“Em meio a uma sociedade que se divide, com conflitos globais simultâneos, a arte tem o poder de unir as pessoas pela troca de ideias. Ela abre a cabeça para diferentes formas de ver o mundo. Nos coloca diante do desconhecido e do diálogo,” afirma.
Esse encontro entre artistas, curadores, galeristas, colecionadores e o público faz com que a ArtRio vá além de um mercado de compra e venda de obras, consolidando-se como uma plataforma para promover a arte contemporânea e a formação de público.
O principal programa da feira é o Panorama, que reúne mais de 50 galerias consolidadas. A seleção dos participantes é feita por um dream team de galeristas: Alexandre Roesler, Antonia Bergamin, Filipi Masini, Eduardo Masini, Gustavo Rebello, Juliana Cintra e Marcio Botner.
Maria Luz Bridger assumiu a direção artística da ArtRio em 2025, mas sua relação com a feira começou antes mesmo da estreia, em 2011, quando participou de sua estruturação. Nascida em Salvador, filha de argentinos e formada em Comunicação pela Universidade Austral, em Buenos Aires, ela construiu uma trajetória reconhecida no circuito internacional. Entre os destaques da carreira está a criação da Art Quest International, responsável pela curadoria e produção de expedições exclusivas para patronos, membros e doadores de alguns dos principais museus e instituições de arte do mundo.
Para o Page9, Maria Luz destacou as atrações imperdíveis da edição de 2026.
Provocação preciosa
A sensação da 36ª Bienal de São Paulo com sua monumental floresta viva, a inglesa de ascendência nigeriana Precious Okoyomon apresenta, no estande da Mendes Wood DM, a provocativa Trauma Slut. De acabamento delicado e mensagem contundente, a obra dialoga com outras peças levadas pela galeria, entre elas trabalhos de Solange Pessoa, Rosana Paulino, Edgar Calel e Naufus Ramírez-Figueroa.
Determinação divina
Ayrson Heráclito é um dos artistas brasileiros de maior destaque atualmente, integrando a mostra principal da 61ª Bienal Internacional de Veneza, em cartaz até novembro. A Galeria Simões de Assis apresenta, no Panorama, a obra Eruquerê com Oxê, da série Juntó, que também integra a exposição italiana. “O sistema do Juntó organiza e combina dois signos de orixás, ou seja, duas determinações divinas,” explica o artista.
Raiz e geometria
Nome fundamental da arte brasileira, Rubem Valentim ganha destaque na Galeria Gustavo Rebello, no Panorama, com uma pintura de 1957, ano em que deixou Salvador para viver no Rio. A obra evidencia sua linguagem singular, marcada por cores intensas e composições geométricas que dialogam com matrizes culturais africanas e indígenas.
Cor em expansão
A Galeria Fortes DʼAloia & Gabriel apresenta obras de Tadáskía, artista carioca de projeção internacional, cuja trajetória inclui uma individual no Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York. Na ArtRio, ela exibe fotografias com seres híbridos, seus conhecidos desenhos de bordas rasgadas e um conjunto inédito de pinturas e esculturas que amplia sua investigação sobre as possibilidades da cor, da linha e da ocupação do espaço.
Espaço da memória
No Jardim das Esculturas, Herberth Sobral utiliza o cobogó, elemento emblemático da arquitetura brasileira, em uma instalação que discute a casa como lugar de memória, pertencimento e transformação. O visitante percorre um labirinto de paredes vazadas, onde luz, matéria e vazio conduzem a experiência.
Natureza metamorfoseada
Júlio Jardim é outro destaque da área externa da ArtRio. Partindo da cerâmica, o artista de Fortaleza não busca reproduzir a natureza, mas reinventá-la. Inspirado pelo legado mitológico e fantástico do pintor Chico da Silva, cria universos povoados por fauna e flora imaginárias.
Memórias de Caruaru
Hugo Sá participa do programa Brasil Contemporâneo após realizar sua primeira exposição individual na Galeria Numero, em Recife, que também o representa na feira. Em suas obras, transforma as memórias da Feira de Caruaru, vividas desde a infância, em uma linguagem visual que transita entre figuração e abstração.
Corpo como base
A fotógrafa, performer e poeta afro-indígena Jane Batista é um dos destaques da estreante Galeria Cave, de Fortaleza. Autodidata, utiliza exclusivamente o telefone celular para fotografar e editar suas imagens. O próprio corpo torna-se suporte e matéria de criação, como revelam as obras Máscaras que Sufocam e Flores.
Conexões
A Galeria Orma, de Milão, estreia na ArtRio com um projeto no programa Solo/Duo que aproxima dois jovens artistas contemporâneos: a ítalo-brasileira Giulia Mangoni e o fluminense Ian Salamente. A proposta explora diferenças de técnica e linguagem, ao mesmo tempo em que evidencia os pontos de contato entre suas pesquisas.















