O rei do boteco

O rei do boteco

Rômulo Morente saiu do jornalismo esportivo para reinar absoluto entre os botecos badalados de São Paulo

“O boteco é ressonante como uma concha marinha. Todas as vozes brasileiras passam por ele.”

Nelson Rodrigues quase sempre tem razão. No caso da frase acima, ele foi impecável. O boteco é mesmo ressonante como uma concha. E poucas pessoas conseguiram “ressoar” a cultura de boteco como Rômulo Morente, 38 anos.

Esse morador raiz da Vila Madalena é o responsável por revitalizar a cultura de boteco em todo o País — com sucessos como o Moela, Sururu, Zé Bolim e o mais recente Braseiro Bom Bom. Jornalista esportivo de formação (trabalhou na RedeTV!, vejam só!), Morente sempre cozinhou de forma amadora, em churrascos de amigos e encontros informais.

Não demorou para que o que era apenas um hobby se transformasse em profissão. Morente largou o jornalismo e formou-se em gastronomia. Um padrinho uruguaio fez com que ele entrasse definitivamente no mundo do churrasco, trabalhando em serviços de catering e eventos privados focados em churrasco e parrilla tradicional.

“Fiz esse trabalho pelo Brasil inteiro. Durante esse período, sempre queriam me levar para conhecer alguma churrascaria. Poxa, eu dizia que queria mesmo era conhecer um boteco, um boteco de cerveja gelada, que eu pudesse ir de chinelo, uma coisa bem brasileira mesmo. Sempre fui apaixonado por botecos,” diz.

E foi em uma visita ao Bola Bar, em Belo Horizonte, que Morente teve a ideia de montar o lugar que recuperaria a cultura de boteco em todo o Brasil: o Moela. 

“Voltei para São Paulo com o cardápio na cabeça. Falei com amigos de longa data e começamos a procurar um ponto para abrir o negócio,” diz.

Mesmo sendo um morador tradicional da Vila Madalena, Morente reconheceu que, em meados de 2019, o bairro não passava pelo seu melhor momento (com muitos bares e restaurantes genéricos em alta). “Senti que a Santa Cecília era o lugar. Em 2019, saímos para procurar um ponto por lá, até achar o imóvel da Canuto do Val,” diz.

O Moela da Santa Cecília abriu no dia 17 de fevereiro de 2020. Em seu primeiro mês de vida, a casa foi um sucesso absoluto. Um mês depois, a pandemia fechou as portas do lugar por alguns meses. O Moela sobreviveu graças ao delivery. Quando pôde voltar a receber pessoas de forma controlada, reservava quatro lugares no balcão para quem queria experimentar seus bolinhos e outras delícias de boteco.

Com o fim da pandemia, o Moela “ressoou” o desejo das pessoas de voltarem às ruas e de socializar de forma mais relaxada e genuína. Os bolinhos, vendidos por unidade, caíram nas graças do consumidor. O bolinho de carne com tutano e o croquete de abóbora com rabada, entre outros, figuraram entre os preferidos do pós-pandemia. O Moela transformou-se em um inequívoco sucesso, um case, como dizem...

Claro, o sucesso fez com que Morente e seus sócios ampliassem os negócios. Nasceu, então, o Moela de Pinheiros — e, bem mais tarde, uma unidade na Vila Mariana.

Com a ideia de criar um "Moela do Mar" e de valorizar a “estufa fria”, Morente e seus sócios abriram o Sururu, na Barra Funda. Ele também abriu o Zé Bolim, uma espécie de boteco express na Vila Buarque, onde a ideia é simples: escolher um bolinho no balcão e seguir a vida.

Mais recentemente, Morente voltou às suas origens churrasqueiras e inaugurou o Braseiro Bom Bom, no Baixo Pinheiros. “Sou um grande fã dos braseiros de galeto do Rio de Janeiro. Quis trazer essa coisa do churrasco brasileiro... Tinha muita demanda para isso, mas não tinha oferta aqui em São Paulo, diz.

Morente não entrega o jogo, mas já começa a desenhar projetos futuros. Novos botecos? Apostamos que sim. Pouca gente sabe traduzir a cultura da botecagem em um sucesso tão palpável. Vamos aguardar — mas tomando uma cerveja e comendo um tremocinho de leve...

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