Aos 83 anos, James Turrell inaugura seu centésimo Skyspace. Como se não bastasse ser a número 100, a obra é também a maior e mais ambiciosa do artista californiano a ser instalada em um museu.
As Seen Below — The Dome integra a coleção do ARoS Aarhus Art Museum — um dos museus de arte contemporânea mais importantes da Escandinávia, com histórico de arte imersiva e escala monumental. Your Rainbow Panorama, de Olafur Eliasson, também está lá.
Conhecido como mestre da luz, Turrell é pioneiro na criação de instalações imersivas. Seu primeiro Skyspace foi feito em 1974. Desde então, 100 obras como essas foram entregues, em 26 países.
Os espaços, com abertura no teto que emoldura o céu, partem de uma ideia relativamente simples que resulta em uma profunda experiência de contemplação, convidando-nos a desacelerar e a perceber o mundo de um novo ângulo.
As Seen Below pode ser vivenciada de três maneiras. No Open Sky, a cúpula se abre para o céu, que surge como um campo de cor sem pontos de referência — experiência disponível durante o horário de funcionamento do museu, sem reserva.

No Colour Shift, a abertura é vedada e a atenção se volta para o próprio espaço: as paredes se dissolvem em luz, revelando-a como material tangível; ocorre a cada hora de maio a agosto, e a cada duas horas no restante do ano.
Já no Twilight, o teto se abre ao céu durante o amanhecer ou o entardecer, e Turrell manipula as cores internas em harmonia com o nascer ou o pôr do sol — fazendo o próprio céu parecer mudar de cor momento a momento.

Conhecido como o artista que pinta com a luz, James Turrell nasceu em 1943 em Los Angeles. É filho de um engenheiro aeronáutico e mãe médica. Estudou matemática e psicologia e, aos 16 anos, tirou licença de piloto. A aviação trouxe a ele experiências que influenciaram a sua arte.
Apesar da mobilidade reduzida (o artista visitou o espaço de cadeira de rodas) segue em plena atividade. Outra obra grandiosa — talvez a maior da arte contemporânea – está em desenvolvimento desde 1979, a Roden Crater. Sua ideia é transformar um vulcão extinto no Arizona em um observatório.

Para isso, tem investido recursos há décadas, e angariar fundos para tal projeto tem sido uma das missões centrais da sua vida. Segundo o Financial Times, o artista já escavou mais de um milhão de jardas cúbicas de terra e, concluído, o local contará com 33 suítes para hóspedes, uma piscina para contemplar o nascer do sol e um anfiteatro. “Jurei que estaria pronto até o ano 2000. E continuo firme nessa posição,” disse à publicação.
Quando não está viajando ou trabalhando, Turrell passa seu tempo em seu rancho, próximo ao Roden Crater, imaginamos que, em boa parte, olhando para o céu.














