Paris costuma ser lembrada pelo peso de suas tradições, mas parte do que mantém a capital interessante é sua capacidade de incorporar novas referências sem perder a própria identidade. Basta caminhar poucos quarteirões para passar de uma pâtisserie centenária a uma galeria de arte contemporânea, de um café inaugurado no século XIX a um restaurante recém aberto.
Nos últimos anos, a presença das culturas asiáticas tornou-se cada vez mais visível nesse mapa — aparece na cozinha, naturalmente, mas também no design, em exposições e até na maneira como a cidade passou a olhar para o bem-estar.
O roteiro a seguir atravessa diferentes bairros e propostas — do spa que utiliza técnicas japonesas a um restaurante tailandês que acompanha a capital francesa há décadas. Confira sete endereços que mostram algumas das formas mais interessantes pelas quais a Ásia está presente na cidade hoje.
O bem-estar começa pela técnica do Spa Ikoi

Em japonês, ikoi significa “um lugar onde se sente bem”. É também o nome do spa instalado dentro do Hotel Balzac, a poucos metros do Arco do Triunfo, onde o menu troca protocolos genéricos por técnicas japonesas que atravessam séculos.
Entre elas está o kobido, massagem facial realizada com uma sequência de movimentos rápidos e ritmados que resultam em um lifting natural. Já a take utiliza o bambu para alcançar regiões mais profundas do corpo.
Para quem quer experimentar um pouco de tudo, o Detox Ritual combina tratamentos faciais e corporais em uma sessão mais longa, inspirada em diferentes práticas. Depois, vale estender a visita na piscina ou passar pela academia.
6 Rue Balzac, 75008
O menu do Thiou revisita clássicos que marcaram sua trajetória

Muito antes de a cozinha tailandesa ocupar tantos endereços em Paris, Apiradee Thirakomen já apresentava seus sabores aos frequentadores do lendário Les Bains Douches. Conhecida como Thiou, a chef abriu o próprio restaurante na Rive Gauche em 2000 e ajudou a popularizar na cidade pratos como o ravioli de camarão.
Hoje, ela comanda o restaurante do Hotel Norman, onde receitas que atravessaram sua trajetória dividem o menu com criações mais recentes, como o caranguejo de casca mole crocante, salada de manga verde com ervas tailandesas e peixe assado com gengibre e cebolinha.
O pedido incontornável continua sendo o tigre qui pleure, ou “tigre que chora”, prato de carne marinada que acompanha a chef desde os primórdios de sua carreira.
9 Rue Balzac, 75008
Fondation Henri Cartier-Bresson

Criada por Henri Cartier-Bresson, Martine Franck e a filha do casal, Mélanie, a fundação preserva os arquivos dos fotógrafos, mas não mantém uma exposição permanente. Em vez disso, o espaço no Marais recebe mostras temporárias dedicadas a outros nomes fundamentais da fotografia.
Até 4 de outubro, as salas são ocupadas por Lettres d’Amour à la Photographie, de Daido Moriyama. A exposição percorre seis décadas de trabalho do fotógrafo japonês sem seguir uma ordem cronológica. Fotografias, livros e textos acompanham sua relação com a imagem e revelam uma produção construída sobretudo nas ruas.
O grão, o desfoque e o alto contraste não são imperfeições a corrigir, mas elementos da linguagem que tornou Moriyama um dos fotógrafos mais reconhecidos de sua geração.
79 Rue des Archives, 75003
No Magma, o rigor não impede a liberdade

Nascido em Yamaguchi, o chef Ryuya Ono chegou à França atraído pela tradição culinária do país. Antes de abrir o Magma, passou por duas cozinhas de peso em Paris: o Table, de Bruno Verjus, restaurante com duas estrelas Michelin, e o Maison, de Sota Atsumi.
Foi na capital francesa que Ono aprofundou o trabalho com molhos, sucos e cocções. De sua formação japonesa, preservou a atenção dedicada ao produto, à sazonalidade e ao gesto necessário para cada ingrediente. No entanto, evita chamar essa combinação de fusão: as duas culturas fazem parte de sua trajetória e aparecem nos pratos sem precisar ser anunciadas.
O menu muda diariamente, mas obedece a uma regra simples: nada está no prato por acaso. “Se eu puder retirar alguma coisa sem que o prato perca seu sentido, provavelmente este elemento não deveria estar ali”, diz. A cozinha é direta, precisa e guarda boas surpresas pelo caminho.
9 Rue Jean-Pierre Timbaud, 75011
OGATA

Restaurante, bar, salão de chá, boutique ou galeria? Na OGATA, não é preciso escolher. Todas as áreas ocupam o mesmo hôtel particulier do século XVII sob a direção de Shinichiro Ogata.
O projeto parte do conceito de sahō, termo relacionado aos gestos e códigos que organizam momentos compartilhados. Isso aparece no preparo do chá no SABŌ, nos wagashi feitos todas as manhãs, no ritmo do serviço e na escolha das louças e objetos expostos na boutique.
É possível passar apenas para um chá, mas vale reservar tempo para percorrer a casa inteira. O mais difícil é sair sem levar alguma souvenir.
16 Rue Debelleyme, 75003
O Petit Bao apimenta Saint-Germain

O salão inspirado nos contrastes da Cidade Proibida antecipa um cardápio de sabores intensos. Recomendo começar pelo fried bao, recheado com queijo, shiitake assado e cebola caramelizada, e seguir com o fried noodles chicken, uma pedida certeira para enfrentar as ondas de calor da cidade.
Antes de sentar à mesa, passe pelo balcão de pimentas, onde cada pessoa pode preparar a própria combinação. É uma das melhores partes da visita (desde que o entusiasmo não ultrapasse a tolerância à ardência!).
73 Rue de Seine, 75006
Fujiko Nakaya faz a Bourse de Commerce desaparecer

Até 14 de setembro, uma nuvem toma conta da Bourse de Commerce algumas vezes ao dia. A responsável é Fujiko Nakaya, artista japonesa conhecida por criar esculturas de névoa feitas apenas com vapor d’água.
Em Cloud #07156, a névoa ocupa a grande área circular no centro do museu e transforma completamente a percepção do espaço - conforme o vapor fica mais denso, a arquitetura e os visitantes desaparecem e voltam a surgir alguns instantes depois.
É possível atravessar a obra no térreo ou observá-la do primeiro andar - de cima, a rotunda parece tomada por um mar de nuvens; lá embaixo, bastam alguns passos para também desaparecer dentro dela.
2 Rue de Viarmes, 75001













