Duas azeitonas, por favor
Já era a quinta roupa que eu experimentava. Decotes e fendas pareciam forçados. Transparência era vulgar. Vermelho, nem pensar. Até a lingerie que comprei e disfarcei numa sacola parda, com medo de encontrar alguém no shopping, não pareceu tão adequada no espelho de casa quanto a vendedora me fez acreditar.
Escolhi a mais simples. Nada a ver me fantasiar para date com um moleque de 29 anos.
O caminho foi mais rápido do que o esperado. Queria dar mil voltas no quarteirão, ficar presa numa enchente, sofrer um acidente e ligar dizendo que não ia mais. Mas não. Cheguei dez minutos antes do combinado e sentei sozinha no balcão iluminado por projeções que faziam as taças mudarem de cor.
Pedi um martini bem seco (duas azeitonas, por favor) para parecer ocupada quando ele chegasse. Já no primeiro gole, ganhei alguma confiança. Levantei o rosto e passei os olhos pelo balcão. Dois casais, três amigas, uma mulher sozinha que não era eu, e um homem esperando alguém.
Alto, bronzeado. Camisa de linho claro que revelava parte das tatuagens vazadas no pescoço. Devia ter uns 40. Gosto.
Notei que ele me olhou e retribuí com um sorriso contido. Começava a sentir uma pontinha de inveja da mulher que passaria a noite com ele.
Com certeza tinha a bunda dura, a pele sem sinais e aquela naturalidade que um dia acaba.
“Marina?”
A voz era aveludada, segura. Mas o excesso de sotaque me irritou um pouco.
Minha primeira reação foi fingir que não ouvi.
“Oi”
Me virei procurando um rosto que combinasse com aquela voz.
“Oi”
Respondi me sentindo uma criança de 5 anos que quer ir embora da própria festa de aniversário.
Nos cumprimentamos com um beijo perdido entre a bochecha e a ponta dos lábios. Pedi mais um drinque, ele escolheu um power juice de melancia com hortelã.
Socorro. Ele não bebe.
Mas bobo não era. Falou da pós que fez na Califórnia (será que foi de lá que tirou a ideia de que esses sucos ridículos tinham efeito melhor que álcool?), do caramelo que encontrou na rua semana passada e levou para casa, da bike com fibra de carbono, sua mais recente paixão.
Atrapalhada, eu ria alto, falava das crianças e pedia outro drinque antes de o copo esvaziar.
Em algum momento ele se inclinou na minha direção. Senti o cheiro do perfume antes de entender o que estava acontecendo.
“André…”
O nome escapou no automático.
Ele só sorriu, como se não tivesse escutado direito. Isso me irritou ainda mais.
Dividir a conta parecia estranho, então paguei tudo e me despedi envergonhada. Enquanto ele se afastava de bicicleta (sério que ele achou que eu ia na garupa?), notei que o homem de 40 continuava sozinho.
Dispensei o táxi e voltei para o bar.
















