Para alguns dos grandes artistas do século 20, a relação com os animais foi muito além da companhia doméstica. Seus bichinhos ocupavam os ateliês, os acompanhavam em viagens mundo afora, em certos casos, acabavam até dentro das próprias obras. De Lump, o salsicha de Picasso, a Babou, a jaguatirica de Dalí, conheça os animais que ganharam certa fama ao lado de seus talentosos donos.
Pablo Picasso e Lump
O dachshund chegou à vida do artista em 1957, quando o fotógrafo David Douglas Duncan levou Lump para uma visita à Villa La Californie, em Cannes. Picasso se encantou imediatamente pelo cachorro, que ficou com o pintor pelos seis anos seguintes.
A relação logo chegou ao papel e à cerâmica – na primeira obra retratando seu pet, Picasso pegou um prato, um pincel e tinta e fez um retrato do salsicha. Anos depois, ele apareceria também em sua série de interpretações de Las Meninas, de Velázquez, substituindo o mastim espanhol que aparece no primeiro plano da pintura original.

Frida Kahlo e os pets exóticos
Em sua residência, conhecida mundialmente como Casa Azul, a artista mexicana estava longe de viver sozinha. Cães, gatos, papagaios e macacos faziam parte do cotidiano de Frida. Entre os companheiros mais conhecidos estavam o xoloitzcuintle Señor Xólotl, a cachorra La Capulina e os macacos Fulang-Chang e Caimito de Guayabal.
Os animais também estão presentes em seus autorretratos – Frida pintou a si mesma ao lado dos macacos, do periquito Bonito e de outros companheiros. Em Autorretrato com Macacos (1943), Fulang-Chang e Caimito aparecem ao lado da artista, entre as plantas de sua casa.

Salvador Dalí e Babou
O pintor tinha uma relação particular com animais, mas poucos eram tão extravagantes quanto Babou, sua jaguatirica. O felino selvagem acompanhou Dalí em viagens, aparições públicas e restaurantes durante os anos 1960.
Em uma dessas ocasiões, em Nova York, Babou assustou um cliente em um estabelecimento. Dizem que Dalí o acalmou dizendo que o animal era apenas um gato doméstico, pintado com um padrão de op art.

Andy Warhol e Sam’s
Antes mesmo de se tornar uma das figuras mais conhecidas da arte americana, Warhol já tinha uma paixão: seus gatos. Nos anos 1950, chegou a viver com cerca de 25 siameses e quase todos tinham o mesmo nome, Sam.
Os felinos não eram apenas companhia – eles estavam dentro do universo visual do artista e foram tema de seu primeiro livro, 25 Cats Name Sam and One Blue Pussy, publicado em 1954 em colaboração com sua mãe, Julia Warhola.

Tarsila do Amaral e os 40 gatos
A paixão da artista brasileira por gatos começou ainda na infância, na fazenda da família em Capivari, no interior de São Paulo. Uma gatinha branca chamada Falena foi a primeira de uma longa lista e, segundo a própria Tarsila, ela já chegou a ter cerca de 40 felinos vivendo na propriedade.

David Hockney e os dachshunds
Stanley e Boodgie, os dois salsichas de Hockney, ganharam um lugar privilegiado na obra do artista, principalmente nos anos 1990. Foi nessa época que ele começou a retratá-los em uma série de desenhos e pinturas feitos em sua casa, em Los Angeles.
O projeto reuniu mais de 40 trabalhos e nasceu de cenas cotidianas: o artista pintava os cães durante seus longos períodos de descanso, registrando suas posições e expressões em diferentes momentos do dia.

Henri Matisse e os gatos
Nos últimos anos de vida, o artista dividia sua casa em Nice com três gatos: Minouche, Coussi e La Puce. Matisse costumava dividir pedaços de brioche com os gatos no café da manhã e os felinos faziam parte de sua rotina, acompanhando o artista enquanto ele trabalhava em casa.

Norman Rockwell e os cães
Cachorros eram figuras recorrentes nas ilustrações de Rockwell – alguns deles, inclusive, eram seus próprios pets: Raleigh, seu collie, aparece em Making Friends (1929), e outros animais também serviram de modelo para cenas criadas pelo artista ao longo da carreira.
Muitos de seus desenhos foram publicados na Saturday Evening Post, acompanhando personagens em diferentes situações do cotidiano americano.

Georgia O’Keefe e os chow chows
Cachorros acompanharam a artista durante boa parte de sua vida no Novo México. Os primeiros, Bo e Chia, chegaram em sua casa no Natal de 1953 e logo passaram a acompanhá-la nas caminhadas pela propriedade em Abiquiú. O’Keeffe era tão próxima dos cães que costumava chamá-los de “little people”.
Inca e Jingo vieram depois e aparecem em fotografias da artista em casa e no Ghost Ranch, onde costumava passar grande parte do tempo.
















