O novo templo de George Lucas para os devotos do cinema

O novo templo de George Lucas para os devotos do cinema

Tudo o que sabemos sobre o monumento criado pelo diretor e produtor de “Star Wars” que está prestes a ser inaugurado em Los Angeles

George Lucas é um grande e incansável realizador. Aos 82 anos, o diretor, produtor e criador das franquias Star Wars e Indiana Jones está prestes a apresentar mais um feito: um centro cultural em Los Angeles dedicado à arte narrativa. 

O Lucas Museum of Narrative Art celebra o poder da narrativa visual e, ao ser inaugurado, em 22 de setembro de 2026, põe fim a uma espera de 15 anos — tempo que levou para ser concretizado. 

O diretor e produtor está acostumado com projetos longevos — cada filme da franquia Star Wars levou cerca de 10 anos para ser feito. Para ele, nada parece ser complexo demais para ser executado. 

Na década de 1970, Lucas fundou a produtora Lucasfilm, provando ser possível ter controle criativo e financeiro; e a Industrial Light & Magic (ILM), para criar os efeitos de Star Wars porque não havia tecnologia disponível para dar vazão à sua imaginação. Na década seguinte, desenvolveu o sistema Dolby Stereo e o padrão THX, transformando para sempre a experiência sonora nas salas de cinema. 

Ao que parece, também não havia um museu à altura de seu acervo. 

 “Um lar para a arte que nos une,” é como o cineasta descreve, em manifesto divulgado no site oficial, o espaço criado ao lado de Mellody Hobson, com quem é casado desde 2013. 

O museu fica no Exposition Park, no sul de Los Angeles, e surpreende pela arquitetura escultural que se destaca no parque como uma espaçonave, com formas acentuadas que evocam a “coreografia das nuvens” e a topografia complexa de Los Angeles. Onde a vida cotidiana encontra a imaginação. 

O projeto é assinado por Ma Yansong, arquiteto chinês que entrou no mapa internacional quando criou, em 2012, as Absolute Towers — um par de arranha-céus residenciais apelidado de torres “Marilyn Monroe” em Mississauga, no Canadá. 

Já o paisagismo que circunda o campus de 27.800 metros quadrados é de Mia Lehrer que, junto com sua equipe do Studio-MLA, transformou antigos estacionamentos em uma paisagem viva, com plantas nativas e resistentes à seca que atinge à região. 

Sustentabilidade também está em pauta — o jardim capta a água da chuva para irrigação, uma fonte em cascata contribui para o resfriamento renovável e painéis solares no telhado fornecem energia limpa. 

Ao longo de cinco andares, o complexo reúne galerias, uma biblioteca, um terraço com vista panorâmica da cidade, com um café e um restaurante, e dois cinemas de última geração, é claro. 

O acervo que inspira a criação do espaço vem da paixão de George Lucas pelo colecionismo, que começou quando comprou sua primeira obra, ainda na faculdade: Histórias em Quadrinhos de Alley Oop por US$ 30. 

Mais de 50 anos se passaram, e essa coleção cresceu para mais de 40 mil obras, abrangendo pintura americana, ilustração popular, quadrinhos e arte cinematográfica. 

“Esta arte é importante. Vamos colocá-la em um edifício importante,” disse Lucas, em uma reflexão sobre o que o motivou a criar o espaço. 

Artistas modernistas e contemporâneos, incluindo Frida Kahlo, Jacob Lawrence, Charles White, Robert Colescott e muralistas como Judith F. Baca e Diego Rivera também fazem parte da coleção. 

O acervo abrange mais de quatro décadas de produção cinematográfica que celebram a visão criativa de George Lucas: adereços e obras de arte de todas as produções da Lucasfilm, que permaneceram com George Lucas após a venda da empresa, em 2012, para a Disney, por US$ 4,05 bilhões. 

E falando em dinheiro, tirar esse projeto do papel custou aproximadamente US$ 1 bilhão — incluindo os custos de construção, de sua coleção de arte e um endowment de cerca de US$ 400 milhões, cujo rendimento deve ser usado exclusivamente para manter o espaço, segundo apurou o Los Angeles Times

Tudo foi financiado pelo cineasta, o que faz do projeto um dos museus mais caros já construídos por um fundo privado no mundo. 

O centro cultural é uma das iniciativas de Lucas e de Mellody Hobson em torno do Giving Pledge — pacto global pelo qual se comprometeram, em 2010, a doar a maior parte de suas fortunas a causas beneficentes.

O casal escolheu a melhoria da educação como caminho, especialmente por meio das artes. "Sempre dissemos que estamos administrando o dinheiro da sociedade, que pretendemos devolver integralmente," diz Hobson. "É o que estamos fazendo."

Por trás de um projeto ambicioso, uma missão ambiciosa: explorar o poder das imagens em nos impactar e moldar a memória coletiva, além de conectar pessoas entre culturas e gerações.

"Quando você entra no edifício, está entrando na mente do George,”  disse a “primeira dama” — uma executiva de sucesso considerada pela Time uma das mulheres mais influentes do mundo. 

Mal podemos esperar.