Dia desses, a caminho do meu portão de embarque em Guarulhos, notei uma looonga fila na porta de um lounge de cartão de crédito, e me perguntei se alguma daquelas pessoas se sentia minimamente especial para um banco com a coragem de oferecer aquele tipo de experiência.
Porque pior do que ficar ali em pé, esperando chegar a sua vez, é de fato entrar.
Naquela sala de espera superlotada (lounge é que não é), o espaço é impessoal, com cores estridentes e iluminado por uma luz branca que não favorece nada nem ninguém. As poltronas de plástico estão sempre quentes, e a pequena montanha de queijos “sabor” brie no bufê, com pegador sujo de marcas de dedo, dificilmente apetece.
Mas eis que surge a Sala Pedra Preta, o novo e primeiro lounge do Itaú no aeroporto.

Sem fila e sem o nome do banco marcando a entrada, o espaço demais de 1000 m2 é todo feito de madeira com um leve tom alaranjado: if you know, you know.
O projeto do escritório americano Perkins&Will e curadoria do Estúdio Campana foi concebido para ser relevante e inesquecível. E, sem nenhuma hesitação, posso dizer que é.
Afinal, não é todo dia que se vê um Portinari fora do museu, dando sopa naquele caos visual que costumam ser os aeroportos. O quadro Industrialização do Brasil (1960), preso à parede perto do lobby, faz parte das 34 obras de arte espalhadas pelos dois andares do espaço.
A escolha, segundo Bruno Struzani, especialista do acervo Itaú Cultural, era quase óbvia quando o intuito era mostrar toda a sofisticação brasileira. Entre os 19 artistas expostos, incluindo Beatriz Milhazes, Vik Muniz e Di Cavalcanti, apenas três não nasceram aqui, mas têm forte ligação com o nosso País: Tomie Ohtake, Fernand Léger e Jesús Rafael Soto.

Mesmo quem tem todo dinheiro do mundo — e um mínimo de cultura e sensibilidade — ficará de queixo caído. Se você passar por ali e não sofrer esse impacto é porque certamente já morreu por dentro.
Perto do lobby, atrás de um porta quase escondida, o Pedra Preta tem uma área VIP dentro do lounge VIP, destinada apenas aos clientes do Itaú Private — gente que tem a partir de R$ 10 milhões em investimentos. E dentro da área VIP do lounge VIP, salas privadas de diferentes tamanhos — que podem ser reservadas pelo app.

Mas a melhor parte dessa área tão restrita é mesmo o meio do salão, com oito mesas que logo serão ponto de encontro da turma que faz o PIB. Ali, abaixo do painel Falésias, feito à mão pelo Estúdio Campana, que cobre boa parte do teto, é possível pedir pratos do menu assinado pelo chef Luiz Filipe Souza, do Evvai, que acaba de levar três estrelas Michelin. Tudo harmonizado pela sommelière Juliana Carani.
O menu by Evvai e a carta de vinhos também estão disponíveis fora da área private, com acesso exclusivo para os clientes Itaú Personnalité que já têm os cartões The One e World Legend.



No Brasil, não é difícil confundir luxo com ostentação. Ainda são poucos aqueles que apreciam do bom e do melhor de forma sutil. Sem nenhum alarde e situado entre os outros lounges de cartão de crédito AAA, o Pedra Preta não quer barulho. Pelo contrário. Quer ter a tranquilidade de um oásis. E se destacar apenas entre os que acreditam que hoje o maior luxo é a privacidade, a intimidade.
Para chegar nisso, não foi preciso contratar agências com ideias mirabolantes. A sacada foi justamente ouvir quem está sempre transitando por aeroportos: o próprio cliente de alta renda do Itaú, num conselho especial criado há um ano e meio e composto por 12 pessoas.
Entre as dores (que eram muitas) de encarar o aeroporto, o que se espera agora é pisar em Guarulhos com a excitação de que a viagem, seja de férias ou a trabalho, começou com o pé direito.















