A poeta canadense que levou o Nobel de Literatura

A poeta canadense que levou o Nobel de Literatura

Anne Carson reinventa os clássicos ao transitar entre poesia, prosa e tradução com uma voz ousada e inventiva

O Nobel de Literatura de 2026 foi dado à escritora canadense Anne Carson, cuja obra navega entre a poesia, prosa e tradução de textos clássicos de maneira singular e fluida. 

Ao anunciar o prêmio, a Academia Sueca disse que a obra de Carson é “ousada e inventiva que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.

Carson, de 76 anos, é conhecida por suas traduções de textos da Grécia Antiga e por adaptações destes textos para uma voz moderna e lúdica. Em Autobiografia do Vermelho, de 1988 e publicado no Brasil pela Editora 34, ela transforma fragmentos de poesia grega em uma história de romance destrutivo de um adolescente temperamental.

Já em Red Doc, de 2013 e ainda não publicado no Brasil, uma espécie de continuação de Autobiografia do Vermelho, gira em torno de uma viagem de carro.

A escritora nasceu em Toronto, em 1950, e se interessou pela língua e pelos textos da Grécia Antiga ainda no ensino médio. Carson estudou na Universidade de Toronto e se tornou professora de estudos clássicos em instituições canadenses, como a Universidade de Calgary e a Universidade McGill, à medida que sua carreira de escritora decolava. 

Desde então, trabalhou em instituições de ensino dos EUA, incluindo Cornell e a Universidade de Nova York.

Ao anunciar o prêmio, o comitê do Nobel também destacou as obras Eros, o doce-amargo, de 1986 – seu primeiro ensaio de fôlego sobre o deus do amor grego e publicado no Brasil pela Editora Bazar do Tempo – e Vidro, Ironia e Deus, um longo poema de 1995 sobre um amor não correspondido e publicado no Brasil pela Relicário Edições.

Carson vive uma vida privada e de pouca exposição. Nos encartes dos livros são raras as fotos da autora e até mesmo mini-biografias contando sua trajetória. 

Ela fala pouco da vida pessoal em entrevistas, porém em ensaio publicado na London Review of Books em agosto de 2024, disse que tem doença de Parkinson e que, por causa dela, sua caligrafia “se desintegrou”. Também revelou que começou a praticar boxe para ajudar a controlar os sintomas da doença.

Ingrid Carlberg, secretária permanente da Academia Sueca, disse durante a cerimônia do anúncio do prêmio, que ligou para Carson para informá-la sobre o prêmio.

“Ela teve tempo de me dizer que está, por enquanto, na Islândia, onde está ouvindo o vento”, disse Carlberg. “Foi pega de surpresa, mas ficou muito feliz. Deu para perceber isso pela voz dela.”

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